sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Henry não é nada mais nada menos do que Henrique Julio Nogueira, português e filho de portugueses nascido nas beiras e habituado ao sossego dos pomares misturado com o barulho do riacho que passava ao lado da sua casa.
Os pais, ricos por terem apostado toda a sua vida na criação de empresas produtoras de maçãs com altos níveis de rendimento, foram pioneiros em Portugal e estão agora a gozar a calmia da sua casa reconstruída há uns 10 anos fruto do seu árduo trabalho. Têm agora perto de 50 empregados que cuidam dos negócios e impulsionam a empresa para os tops nacionais de vendas.

Henrique estudou e graduou-se em administração de empresas. Está agora em Londres representando o grupo Stabs, na tentativa de fechar um importante negócio relacionado com a comercialização de Chips de ADN.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

O telefone toca. Meio atrapalhado entre o guardanapo e o pedaço de manteiga que espalhou na mão acidentalmente, chega ao auscultador e atende enquanto o segura entre a cara e o seu ombro esquerdo....

"Henry! We've got a very important job for you!"

Lá estava o seu querido "boss" a ligar às 11.00 da manhã com desafios inauditos com os quais tinha sempre dificuldade em lidar.

"Ok Mr. Jones! I'll be at the office by 11.30am at most!!!"

Henry sai a correr de casa, a gravata leva-a no bolso. Nunca teve jeito para condução, por isso corre para um taxi que passa rasante na curva uma esquina antes da porta de casa. Em apenas 15 minutos chega finalmente ao edifício de escritórios onde trabalha. Pelo caminho tem tempo de apertar os botões da camisa que faltavam e dar um nó na gravata.
Começa a chover. A água cai do céu e ressoa nos vidros do taxi ameaçando deixa-lo totalmente encharcado à saída. A trovoada abana o chão e anuncia um dia cinzento, frio e acima de tudo molhado.

"Que trabalho importante será este para levar o Mr Jones a ligar-me para casa?"

quinta-feira, maio 11, 2006

-"Hoje acordei com uma estranha sensação de Déjà Vu. Parece que este dia frio e seco se repete após tantos anos. Na minha terra eram assim as manhãs em final de Inverno... acordava com os meus pais sempre energéticos e empreendedores a programar cuidadosamente o dia enquanto eu tomava o meu pequeno almoço sempre igual... pão com manteiga e um copo de leite morno, simples como eu. Desde esse tempo sou organizado em tudo o que faço e tento manter um registo do que de mais importante se passa na minha vida. A organização dos meus pais entranhou-se em mim de tal forma que não dou um passo sem a minha agenda de bolso repleta de contactos que mantenho desde que era miúdo."

Parece que apesar de tudo esta organização extrema a que se aplicou estes anos todos não o ajudará neste seu novo desafio...

Capítulo Primeiro

"A necessidade aguça o engenho", pensou ele. Ouvira esse adágio popular vezes sem conta, e nunca soubera muito bem se existiriam implicações filosóficas agregadas à praxis da mesma. E agora, mais do que nunca, precisava de a levar à letra. Nem ele sabe como tudo começou. Procurou nos cantos mais recônditos da sua mente, mas não encontrou nenhuma resposta. E logo ele, que sempre se gabara de que a sua memória era, de longe, gigantesca, roçando o limiar do divinal. Ou assim ele pensava...


Novembro de 1987

10h35 da manhã. Está frio, mas, felizmente não chove. Continua...